Reprodução: Dursun Aydemir/Anadolu via Getty Images
Por Renato Lima
A cada dia que passa, a tão aguardada Copa do Mundo 2026 fica mais próxima e, junto com ela, vem uma coisa inédita na história do torneio. Pela primeira vez, a competição contará com 48 seleções, abrindo mais espaço para que novas histórias no futebol mundial possam surgir e é justamente nesse cenário que quatro países vão viver um sonho inédito: disputar o Mundial pela primeira vez. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão não chegam apenas como novatos, mas cada um carrega trajetórias únicas que ajudam a explicar por que a próxima Copa promete ser uma das mais diversas e surpreendentes de todos os tempos.
CABO VERDE
Entre os estreantes, Cabo Verde talvez represente a história mais simbólica. O arquipélago africano, com pouco mais de meio milhão de habitantes, construiu grande parte de sua seleção na diáspora de jogadores formados principalmente na Europa, mas com forte ligação com suas raízes. A classificação inédita é resultado de um crescimento consistente nos últimos anos, coroando um projeto que transformou uma seleção emergente em competitiva no cenário africano.
Os Tubarões Azuis, como são conhecidos, fizeram uma campanha bastante sólida do início ao fim, terminando as eliminatórias com uma sequência impressionante de sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota, em um grupo que também contava com seleções muito tradicionais, como Camarões e Angola.
Em outubro de 2025, o time do técnico Bubista confirmou, em casa, a tão sonhada vaga ao derrotar Essuatíni por 3 a 0, na última rodada, marcada por bastante apreensão. E foi como mandante que Cabo Verde construiu a base sólida da sua campanha, conseguindo quatro vitórias e um empate sem sofrer nenhum gol.

Reprodução/Instagram/@wsemedo7
O grande destaque dessa campanha foi o atacante do clube português Casa Pia, Dailon Livramento, que terminou como artilheiro do grupo, com quatro gols, brigando com nomes de peso do continente africano, como os atacantes camaroneses Vincent Aboubakar e Bryan Mbeumo.
A atual 69ª colocada do ranking mundial da FIFA caiu em um grupo com a atual campeã europeia Espanha, a tradicional seleção do Uruguai, além da Arábia Saudita. Cabo Verde estreará no dia 15 de junho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, contra os espanhóis, em busca de continuar fazendo história.
CURAÇAO
Outra história fascinante é a de Curaçao, que chega à Copa como o país menos populoso a se classificar para o torneio. Com forte influência do futebol europeu, principalmente holandês, a equipe combina diferentes culturas em campo. Essa mistura futebolística resultou em uma seleção muito competitiva e organizada, que surpreendeu nas Eliminatórias da Concacaf.
A “Onda Azul”, sob o comando do técnico holandês Dick Advocaat, fez uma campanha invicta em dez partidas. Na segunda fase das eliminatórias, Curaçao dominou seu grupo com vitórias contra Barbados, Aruba e Haiti. Já na terceira fase, a seleção, movida por talentos como Tahith Chong (ex-Manchester United), Kenji Gorré e os irmãos Bacuna, confirmou sua força, incluindo uma vitória importante por 2 a 0 sobre a Jamaica e uma goleada por 7 a 0 contra Bermudas.

Reprodução/ @thebluewaveffk
Como Canadá, Estados Unidos e México estão classificados por serem os países-sede, seleções com pouca tradição em Copas ganharam protagonismo nas Eliminatórias da Concacaf. Reflexo disso é que também confirmaram vaga: Haiti, que jogou sua única Copa em 1974 e está no grupo do Brasil, e Panamá, que disputará o torneio pela segunda vez após estrear em 2018.
Curaçao, que ocupa a 82ª posição no ranking da FIFA, enfrentará um grupo com Equador, Costa do Marfim e a fortíssima Alemanha, seleção contra a qual fará sua estreia no dia 14 de junho, no NRG Stadium, no Texas.
JORDÂNIA
A Jordânia é mais um país a fazer história. Depois de bater na trave em outras campanhas, a seleção finalmente conseguiu transformar a evolução em classificação. Com uma boa geração e um sistema de jogo mais consolidado, os jordanianos, mesmo com um início um pouco hesitante, demonstraram muita personalidade para buscar o seu lugar no Mundial.
Em seu primeiro jogo, fora de casa contra o Tadjiquistão, empataram em 1 a 1 e, depois, perderam por 2 a 0 para a Arábia Saudita, resultado que complicava suas chances. Porém, em vez de dar espaço para uma crise, a equipe reagiu de forma impressionante. Com quatro vitórias consecutivas — entre elas um 7 a 0 sobre o Paquistão e uma vitória por 2 a 1 na revanche contra a Arábia Saudita —, a Jordânia chegou ao topo do Grupo G, superando os sauditas no saldo de gols.
Depois disso, o time ganhou ainda mais consistência e foi um dos mais eficientes da competição. A Jordânia encerrou a terceira fase com uma campanha sólida com quatro vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas, garantindo o segundo lugar e a histórica classificação para a Copa do Mundo de 2026.

Reprodução/X/Jordan Embassy in Washington
Além das eliminatórias, a seleção da Jordânia também alcançou recentemente sua primeira final da Copa Árabe da FIFA, na qual terminou como vice-campeã após uma derrota por 3 a 2 para o Marrocos.
Os jordanianos, que ocupam a 63ª posição no ranking mundial da FIFA, terão como adversários no Mundial a atual campeã Argentina, a Argélia e a Áustria. Os austríacos serão o adversário da estreia, no dia 17 de junho, no Levi’s Stadium, na Califórnia.
UZBEQUISTÃO
Fechando a lista, o Uzbequistão chega à Copa após anos de frustração. Sob o comando do técnico Timur Kapadze, a equipe mostrou que poderia competir de igual para igual com as principais forças do continente e terminou em segundo lugar no Grupo E, empatada em pontos com o Irã.
Esse desempenho levou o time à terceira fase, na qual voltou a enfrentar os iranianos. Nessa série de confrontos entre as equipes, os quatro jogos terminaram empatados. Além dessa disputa equilibrada, o Uzbequistão conquistou seis vitórias, três empates e sofreu apenas uma derrota, consolidando a segunda posição do Grupo A e garantindo a classificação para o Mundial.

Foto: Fadel Senna/AFP
Os atuais 50º colocados do ranking da FIFA contam com o zagueiro destaque do Manchester City, Khusanov, e com o técnico Fábio Cannavaro, campeão do mundo com a Itália em 2006 e eleito melhor jogador do mundo no mesmo ano, que assumiu o comando em outubro de 2025.
Na Copa do Mundo de 2026, os uzbeques farão sua estreia contra a Colômbia no dia 17 de junho, no Banorte Stadium, na Cidade do México. Além dos colombianos, Portugal e a República Democrática do Congo também estarão no grupo dos estreantes.

Deixe um comentário