Muito mais que as Quattro Linhas

A força simbólica que faz do esporte um fenômeno humano universal e atemporal  

Por Renato Lima

Paixão, por definição, é entendida como um forte sentimento de atração e afeto por algo ou alguém. Mas será que paixão pode ser definida em tão poucas palavras? Uma palavra que tanto define quem somos, muitas vezes, é perfeitamente exemplificada em apenas gestos que não necessitam de palavras. E é nesse caso que entra o poder do esporte. Lágrimas de felicidade em um pódio, lágrimas de tristezas em uma derrota, unhas sendo roídas em um momento tenso de uma partida. Todos esses gestos podem servir de exemplo da força da paixão que o esporte carrega na vida de cada pessoa.

Há diversas explicações científicas e químicas para esses momentos e no intuito de mostrar como a paixão se manifesta na vida das pessoas, mas aqui eu prefiro apenas tratar de quanto o esporte me completa de algo que vem do coração. Em um país de dimensões continentais, o esporte no Brasil acaba, muitas vezes, se confundindo somente com o futebol. Há de se considerar o tamanho que essa modalidade tem na sociedade brasileira, a ponto de nos autoproclamar o “País do Futebol”.

E o que sempre me faz pensar que o futebol, e os esportes de maneira geral, não são eventos culutrais, mas sim espaços sociais. Em um jogo de 60 mil pessoas, não são apenas 60 mil pessoas. São 60 mil histórias, vivências e realidades diferentes, mas que 1 amor em comum, as fazem percorrer horas de viagem para ter a sensação de que torcedor e atleta são apenas um só durante o tempo do jogo. E essa conta não fecha apenas nessas 60 mil histórias, já que esse número traduz apenas o público que pagou o ingresso para assistir o jogo ou a prova. Esse dado não leva em consideração os seguranças das arenas, os ambulantes que vem de lugares distantes para tentar conseguir dinheiro para o sustento de suas famílias, os donos de estabelecimentos que reúnem amigos para assistir o jogo juntos, fora outras milhares de realidades que são afetadas por 1 evento mesmo não tendo pagado o ingresso. O esporte no Brasil é algo que está dentro de nós. É mais que nosso DNA. É quem somos, quem amamos, quem odiamos, é a nossa alma.

Aqui no Quattro Linhas, o nosso objetivo é trazer algumas histórias e curiosidades que muitas vezes acabam não tendo seus devidos espaços, mas que são frutos exemplificados do quão transformador o esporte pode ser. A nossa ideia é falar muito de futebol, uma tônica natural da sociedade brasileira, mas também dar luz para as mais distintas modalidades que acabam aparecendo para o grande público de 4 em 4 anos nos Jogos Olímpicos. O esporte é muito mais que isso. As mais minuciosas histórias que estão envolvidadas em um evento esportivo, traduzem o peso que eles possuem em nossas vidas. Seja você um apaixonado ou não por esportes, a sua vida já foi afetada em algum momento por isso. Desde uma aula de educação física na escola até as maiores loucuras que a paixão por alguém ou por uma instituição podem ser motivadas a ser feitas, o esporte é feito de histórias. E que em sua grande maioria se mistura com a paixão.

Além da parte científica – que eu já relatei que não é o foco desse texto – que o esporte carrega trazendo bem-estar e uma saúde física e mental, não são poucos os acontecimentos sociais que essa atividade carrega. O congraçamento e a união de povos em épocas de grandes competições são apenas o topo do iceberg nesse quesito. O esporte já parou guerras e deu voz às pessoas que nunca teriam vozes em conflitos entre países. A fuga mometânea de uma realidade sofrida é atenuada por esses eventos que surgem como uma esperança por dias melhores. É claro que se dever dizer de acontecimentos desagradáveis em eventos esportivos por razões que vão além desse âmbito, porém, seu poder transformador positivo se engradece diante desses casos. O amor e o espírito esportivo sempre serão maiores do que isso.

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